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Tuesday, July 9, 2013

Um texto

"Ela não dizia que se sentia sozinha, pois sabia que o mundo está cheio de pessoas.
 Ela não contava sobre seus problemas, pois sabia que coisas piores já aconteceram com pessoas melhores.
 Ela não contava sobre suas paixões e seus interesses, pois achava que os outros não queriam saber dessas banalidades.
 Ela não dizia que se sentia deslocada, porque todos se sentem assim, certo?
 Ela não falava que se achava um pouco diferente, pois quando analisava o mundo ao seu redor percebia que achar isso era normal.
 Ela via o mundo se mantendo constante enquanto ela era modificada pelo que lia e escutava, transformada por músicas e palavras.
 Ela falava só o que achava que os outros gostariam de ouvir. Agia como era se esperado agir.
 Ela começou a fugir da realidade e ainda sim não dizia nada.
 Ela então começou a sucumbir ao não dizer e se afogou no silêncio.
 Tentou fingir que nada estava acontecendo dentro dela e sentiu uma pequena parte de si se perdendo.
 Seus ideais e o que os outros esperavam dela começaram uma luta eterna em sua mente.
 Seus sonhos por mudanças foram sendo consumidos pelos hábitos que evitavam a decepção dos outros.
 Palavras eram engolidas para não magoar, mas ao mesmo tempo a cortavam por dentro.
 Ela viu sua imagem no espelho se tornando aquela da hipocrisia.
 Mas então ela percebeu que junto com aquele seu medo de ser livre estava um desejo de liberdade.
 Ela pegou um papel e uma caneta, criando coragem para escrever.
 Ela sabia que talvez isso não levasse a nada, mas ela peno menos tentaria criar uma nova reflexão.
 Uma nova imagem no espelho que não a encararia de volta com arrependimento e ódio.
 E sim com a felicidade de quem viveu e fez tudo que pôde para ser fiel a si mesma.
 Uma imagem de amor próprio."
- Khaye Litsha



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